*Por Ronaldo Vasconcellos
ambito@terra.com.br
A coleta seletiva de lixo na cidade de Belo Horizonte
poderia ser muito mais abrangente do que é na atualidade. Porém, essa ação não
depende somente da administração pública municipal. Separar resíduos sólidos em
recipientes diferentes requer um envolvimento de toda comunidade. Esse processo
deve começar dentro de casa, como sendo uma rotina de cada família, e também
nos ambientes de trabalho. Ainda estamos muito longe dessa realidade, mas nem
por isso devemos retardar essa atitude cidadã.
Uma pesquisa realizada pelo Compromisso Empresarial para a
Reciclagem (Cempre), entidade criada por empresas com o objetivo de incentivar
a coleta seletiva, aponta que 80% da população de BH tem acesso a esse tipo de
coleta, mas o serviço porta a porta só atinge 80 mil moradores num universo de
2,3 milhões de habitantes. Nossos números são pequenos comparados a de outras
capitais do País. A quem conteste esses percentuais.
Por outro lado, a nossa capital é um exemplo de mobilização
de catadores de material reciclável. Temos aqui associações com quase 20 anos
de existência e que realizam um bom trabalho social. O que falta é o que
podemos chamar de mobilização da população para separar o lixo de maneira
correta. O material deveria ser entregue aos catadores ou depositá-lo nos
contêineres espalhados por vá-rios pontos da cidade. Se cada família separar os
dejetos em secos (papel, vidro, plástico...) e molhados (resto de alimentos,
material de banheiro...), facilita o trabalho do catador e conseqüentemente aumenta
o potencial da coleta.
Temos de melhorar a estrutura das associações de catadores,
pois elas são as grandes parceiras nessa atividade. Fazendo isso, minimizamos
os problemas sociais e diminuímos os custos da coleta seletiva (muito altos por
sinal).
A grande diferença de Belo Horizonte para outras cidades
nesta área é que temos aqui uma visão mais aprofundada das questões sociais.
Precisamos levar a coleta seletiva a todas as partes da cidade, mas isso deve
ser feito envolvendo toda comunidade. Trabalhar de maneira consistente e
sistemática na conscientização e na mudança de comportamento da população é
nosso grande desafio. Por isso, reduzir o volume de lixo é a meta que cada um
de nós deve perseguir.
*Ronaldo é
professor universitário, Vice-prefeito de BH, Coordenador do Comitê
Municipal de Mudanças Climáticas e Ecoeficiência e ambientalista.