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Poder de compra do salário mínimo cai

A alta de 9,21% ou o equivalente a R$ 35 no valor do salário mínimo, que começa a ser pago no mês que vem, não vai representar muita fartura para os brasileiros. Muitos dos produtos básicos e indispensáveis nas cozinhas das donas-de-casa tiveram, no último ano, reajustes que ultrapassaram bastante o aumento do mínimo.

Para se ter uma idéia, em 1º de maio de 2007, com os R$ 380 do piso salarial do país, dava para comprar 228 pacotes de 1kg de feijão carioca, que tinha o preço médio de R$ 1,67. Agora, com o salário de R$ 450, não é possível levar mais do que 71 pacotes, que hoje custa R$ 5,83 o quilo, em média, em Belo Horizonte. Levantamento feito pelo site de pesquisa  Mercado Mineiro, mostrou que a queda no poder de compra do alimento foi de 68,86%.

Outras mercadorias que também apresentaram aumentos acima do reajuste do salário mínimo, segundo a pesquisa, foram o óleo de soja, os ovos brancos, o fubá, o pão de forma, leite integral e limpador multi-uso. Em maio do ano passado, era possível adquirir 191 unidades de 900ml de óleo de soja Soya, com o valor pago pelo mínimo. Na semana passada, a dona-de-casa, com R$ 450, não conseguiria comprar mais do que 125. No caso dos ovos brancos, do fubá, do pão de forma e do leite, a redução do poder de compra chegou, respectivamente, a 20,46%, 22,32%, 7,45% e 3,76%



"Tudo vai subindo aos poucos", observa a coordenadora-executiva do Movimento das Donas-de-Casa e Consumidores de Minas Gerais (MDC-MG), Maria do Céu Kupidlowski. Ela lembra que os reajustes de muitos desses produtos não foram motivados pela alta do salário mínimo.

Mas não descarta a possibilidade de novos aumentos de preços agora, por causa do reajuste. "O feijão é o pior. Vem subindo muito desde o ano passado e a qualidade piorou", observa. Para ela, o aumento de 9,21% no valor do mínimo não representa quase nenhum ganho.

 "Não dá para nada", diz. Os R$ 35 dariam apenas para comprar seis quilos de feijão carioca. "A saída é consumir menos para ver se os preços caem. Quando houve o problema do leite e todo mundo parou de comprar, o preço caiu rapidinho", lembra.

A dona-de-casa Vanda Vieira Leite Barbosa, de 56 anos, reforça que também tem notado os reajustes nos supermercados. "E agora que o salário mínimo subiu, devemos ver mais aumentos. Todo ano é a mesma coisa", diz. Como prefere alimentos mais saudáveis, ela não se beneficia com a queda no preço de produtos como o açúcar, que foi o que mais apresentou redução e melhoria para o poder de compra dos consumidores.

O levantamento do Mercado Mineiro mostrou que, no ano passado, dava para comprar 71 pacotes de açúcar cristal de 5 quilos com R$ 380. Agora, com R$ 450, é possível comprar 99. Também houve ganhos nos combustíveis, tanto álcool quanto gasolina, e nos valores do café e do sabão em pó.

O diretor do MercadoMineiro, Feliciano Abreu, diz que este ano dá para comprar 56 litros a mais de álcool com o valor do salário mínimo. "Os consumidores tiveram vantagens no poder de compra dos combustíveis", observa. Ele lamenta, no entanto, os fortes reajustes dos produtos da cesta básica, como o feijão e o óleo de soja. "Do jeito que ficaram os reajustes, os R$ 35 a mais vão virar pó", afirma.

Perdas e ganhos
Preços de vários produtos subiram além da alta de 9,21% do salário mínimo, reduzindo o poder de compra das famílias. Outros fizeram o caminho inverso, permitindo compras em maiores quantidades este ano

Notícia publicada em Terça, junho 17 @ 20:17:00 BRT por danny
 
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