| Plugues - padronização trará economia e segurança |
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Quem está à procura de apartamentos e casas e visitou projetos novos ou em construção já reparou que as tomadas mudaram. O novo formato, fundo e sem entrada para pinos chatos, será o padrão brasileiro a partir de 2010.
Por isso, é bom se acostumar. A partir de agora, somente existirá um tipo de tomada, sempre com três furos, e dois padrões de plugues, um com dois pinos e outro com três. Além disso, os pinos podem ser de dois diâmetros: 4 mm ou 4.8 mm.
De acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), os eletrodomésticos que necessitam de aterramento, como acontece com as máquinas de lavar roupa e os aparelhos de ar condicionado, usam os plugues de três pinos. Os que operam com até 10 amperes usam o plugue com pinos de 4 mm, ao passo que os que trabalham entre 10 e 20 amperes usam plugues com 4,8 mm de diâmetro.
A mudança, segundo o diretor da Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, vai eliminar a incompatibilidade entre plugues e tomadas. "Atualmente existem mais de 10 modelos de plugues e tomadas diferentes no Brasil, o que é uma consequência da falta de padronização. Um cidadão comprava um aparelho com um plugue e precisava de adaptadores para fazer a ligação".
A "gambiarra" de plugues e tomadas provoca sobrecarga na instalação
elétrica, risco de choques e desperdício de energia, o que levou à
publicação, em 2000, de uma portaria sobre a adoção do padrão pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Naquele ano foram
definidas as datas para que diferentes seguimentos cumprissem prazos
para adaptar-se ao novo modelo de tomadas e plugues.
Segundo o Inmetro, em 1º de janeiro de 2010 as empresas de eletroeletrônicos pararam de produzir aparelhos com plugues antigos. Os importadores também não poderão trazer produtos sem a especificação para o país. Desde outubro, os importadores e fabricantes estão proibidos de comercializar equipamentos fora dos padrões para o varejo. Já no início de 2011 o varejo não poderá mais comercializar plugues e tomadas avulsas dos modelos antigos e, em julho, a transição deve ser finalizada.
Alfredo Lobo justifica que a segurança foi uma das razões que levaram à adoção do novo padrão. "A tomada antiga possibilitava o contato acidental com a parte energizada e o ajuste imperfeito entre o plugue e a tomada, o que gerava desperdício de energia e calor. Isso provocava o superaquecimento da instalação e do equipamento, podendo levar a um curto-circuito", explica.
O diretor da Qualidade do Inmetro ainda lembra que, nos últimos dez anos, mais de 35 mil incêndios ocorreram em São Paulo por conta desse tipo de deficiência, segundo dados levantados pelo Corpo de Bombeiros da cidade. "Mais de seis mil incêndios foram provocados por superaquecimento de equipamentos eletrônicos acoplados à instalação elétrica", alerta.
Mesmo sem possuir um levantamento similar ao da corporação paulista, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirma que essas ocorrências são mais comuns do que a popu-lação imagina, especialmente na época do Natal, quando árvores e casas são iluminadas com lâmpadas coloridas.
Segundo o Inmetro, a nova tomada não possibilita a chamada inserção parcial, já que o plugue é sextavado e ela também possui uma cavidade sextavada. Assim, a energização do pino só acontece quando o mesmo estiver com a parte plástica totalmente inserida na cavidade. Isso elimina os riscos de choques elétricos, que acontecem principalmente quando as crianças colocam os dedos na tomada.
O impacto financeiro gerado pela mudança é a principal preocupação dos consumidores. De acordo com o Inmetro, além de segurança e adaptabi-lidade, o custo foi um critério fundamental para a escolha desse padrão. Mas afinal, vai sair mais caro para o bolso do brasileiro? O Instituto diz que é natural nesse primeiro momento que os fabricantes repassem o custo para o consumi-dor, já que eles tiveram que desenvolver novos produtos. Mas o órgão assegura que não há motivo para preocupação porque a própria concorrência se encarregará de nivelar os preços.
O gerente do setor de elétrica da loja Leroy Merlin, Alessandro Malta, diz que no início do ano os preços estavam mais salgados. "Houve um repasse para o consumidor, mas agora a diferença entre os preços das tomadas novas para as antigas é quase zero". Para o gerente da Abinee, Fabián Yaksic, a redução do número de mo-delos de plugues e tomadas será po-sitiva para o consumidor. "Haverá uma economia de escala para os fabricantes, que poderão comercializar os produtos por preços menores, sem custos para o consumidor final.
Eu pessoalmente constatei que algumas tomadas já estão mais baratas", re-vela. Ele lembra que alguns fabricantes se anteciparam e aderiram às mudanças desde 2007. "Mais de 80% dos aparelhos eletrônicos já estão com os novos plugues, que também podem ser ligados em algumas tomadas antigas, o que evita problemas para o consumidor". O diretor da Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, lembra que essa compatibilidade também foi pensada antes da implantação da mudança. "O padrão nacional deveria ser compatível com a maior parte das tomadas existentes para facilitar o período de transição, já que alguns países levaram 10 anos ou mais para completar essa fase".
Muitos pensam que um padrão universal facilitaria as coisas, mas, segundo o Inmetro, várias tentativas foram feitas em todo o mundo, inclusive por parte da entidade internacional de normalização do setor, a Comissão Eletrotécnica Internacional - IEC, mas nenhuma foi adiante. A esco-lha de padrões de outros países chegou a ser cogitada, mas o Inmetro afirma que chegou a um modelo próprio com o objetivo de evitar a dependência tecnológica.
Adaptadores Indispensáveis para a adequação dos consumidores ao novo padrão, os adaptadores serão cada vez mais usados. Hotéis e outros estabelecimentos que recebem visitantes internacionais, por exemplo, deverão manter um adaptador sempre disponível. O diretor da Qualidade do Inmetro reconhece que a população enfrentará dificuldades durante o período de adaptação. "Não teremos tomadas compatíveis com os plugues novos.
Preferencialmente deve se evitar o uso do adaptador, optando pela troca da tomada para diminuir os riscos de choque elétrico, curto-circuito e incêndio. Mas sabemos que será inevitável usá-lo e por isso exigimos a certificação". Alfredo Lobo também recomenda fazer o aterramento da instalação. "O benefício não será real se uma tomada com três pinos for usada sem fazer o aterramento. É preciso capacitar os eletricistas para que eles usem as novas tomadas com o aterramento", afirma.
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Notícia publicada em Quinta, janeiro 14 @ 15:47:27 BRST por quintino |
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