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Dinheiro de plástico ultrapassa o cheque
O medo do borrachudo e a propagação do dinheiro de plástico têm sido decisivos na escolha do comerciante pela forma de pagamento aceita. Muitos estabelecimentos de Belo Horizonte passaram a recusar cheques, na mesma trilha seguida pela maioria dos postos de gasolina, supermercados e hotéis.

Pesquisa de Balanço do Crédito realizada pela Federação do Comércio (Fecomércio Minas) mostra que, desde setembro do ano passado, o recebimento de papel despencou 27%. Em substituição, os comerciantes estão cada vez mais aceitando os cartões, citados por 98% dos lojistas, maior percentual encontrado desde o início do levantamento.

 De acordo com o assessor técnico da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Walter Tadeu Pinto de Faria, atualmente são compensados cerca de 100 milhões de cheques por mês em todo o país. “Nos anos 90, eram mais de 300 milhões”, compara.
De 2007 para 2008, a queda no recebimento de cheques foi de 8,8%.

Um ano depois, o decréscimo foi ainda maior, de 11,5%, fechando 2009 com um montante de 706 milhões de cheques compensados ante 841 milhões, em 2008, e 987 milhões, há três anos. “Ainda assim é um volume grande”, diz Faria, que não acredita no fim do cheque. “Em países como Estados Unidos e França, onde os meios eletrônicos de pagamento são ainda mais avançados que no Brasil, os cheques são bastante utilizados”, diz.


A principal motivação para o uso crescente do dinheiro de plástico é a segurança. “Os bancos fazem campanhas incentivando o uso dos cartões, porque acreditam que o meio seja muito mais seguro para o cliente. Os cheques são mais fáceis de sofrer adulteração”, defende.
 
Mas, na opinião da coordenadora institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), a advogada Maria Inês Dolci, essa segurança tão propagada é relativa. “Se um consumidor perde seu cartão e só dá falta algumas horas depois, e nesse intervalo de tempo uma outra pessoa faz compras com o cartão, ele não é obrigado a pagar a conta.

A loja tem como obrigação checar a documentação e a assinatura do cliente. E a responsabilidade de provar a identidade de quem fez a compra é do estabelecimento”, garante.

 Segundo ela, a fatura não deve ser paga por quem teve o cartão roubado. “Caso o estabelecimento e a operadora não assumam o prejuízo, a pessoa deve entrar com uma ação na Justiça e pedir a suspensão da cobrança enquanto o caso não se resolva”, instrui. Ainda de acordo com Maria Inês, o Juizado Especial Cível recebe ações referentes a até 40 salários mínimos. Questionamentos no valor de até 20 salários mínimos dispensam advogados.

 Do outro lado do balcão, entretanto, o discurso é unânime: o cartão é a melhor arma para combater a inadimplência. “Já levei muito cano na vida. Hoje, só aceito cheques de clientes antigos”, diz Neusa Giatti, da Discomania. Mesma decisão foi tomada pelo seu irmão, Carlos Giatti, proprietário da loja de mesmo nome na Savassi.

 “Já tive muitos problemas. Agora, cheque só de conhecidos”, afirma ele, acrescentando que o freguês já nem pergunta mais sobre o pagamento com o papel. “A gente nem vê cliente com talão”, diz.

 Na Segunda Intenção, loja de roupas íntimas no Centro da capital, cheque é assunto proibido. “Acei-tamos todos os cartões. Mas cheque, nem pensar”, diz a funcionária Vanessa Silva Brum. Nas lojas MMartan, onde a opção era escolhida por apenas 5% dos clientes, o papel também foi abolido.

 De acordo com a coordenadora do Departamento de Economia da Fecomércio Minas, Silvânia de Araújo, apesar de minoria, alguns lojistas ainda incentivam o uso do cheque devido às altas taxas cobradas pelas administradoras de cartão, a despeito das vantagens creditadas ao meio eletrônico.

 “Trata-se de uma situação que impõe o desafio da escolha ao empresário, dependendo da escala de transações, da qualidade do cadastro positivo e, principalmente, da proximidade com o cliente-alvo”, conclui.
 
Cartão é igual a dinheiro
A advogada da Pro Teste faz outro alerta: cartão é igual a dinheiro. “O consumidor não deve comprar nos estabelecimentos que não considerem o pagamento com cartão como à vista. Afinal, já paga uma anuidade para poder usar esse meio de pagamento. A prática de usar o consumidor como massa de manobra para pressionar as administradoras quanto às cobranças que são feitas pelo aluguel das máquinas é abusiva”, adverte.

 Segundo ela, dos empresários belo-horizontinos consultados pelos pesquisadores, 98% trabalham com cartão de crédito, patamar acima dos 95% obtido nas sondagens anteriores. Em janeiro, o aumento do giro de negócios via liquidações de início de ano também contribuíram para estimular as compras com cartão de crédito.

 “Muitos lojistas, com vistas a evitar os custos de transação ilícitas, sem lastro, como por exemplo os cheques sem fundos, preferem estimular as compras via cartão, temendo os riscos do não recebimento das vendas. Além disso, os processos de vendas são mais ágeis, reduzindo o custo da operação por cliente”, diz.

Ainda de acordo com a pesquisa da Fecomércio, no total dos meios de pagamentos, nas vendas parceladas, o cartão de crédito respondeu por 56% das operações realizadas em dezembro, patamar médio que tem sido observado nas pesquisas.
 O cartão tem sido utilizado não apenas como o meio eletrônico de pagamento, mas também instrumento de parcelamento das compras, com mais frequência dividido de duas a seis parcelas, com participação de 77% no total de número de registros, contra 65% da sondagem de dezembro.

 Mas antes de optar pelo parcelamento, é preciso atenção quanto às taxas, recomenda Maria Inês Dolci. Os juros praticados pelo comércio de Belo Horizonte nas parcelas acima de quatro vezes pode variar de 3,% a 5,9% ao mês. “Sempre que possível, dê preferência ao pagamento à vista. E não se esqueça de pechinchar um desconto”, ensina.
Notícia publicada em Terça, março 09 @ 09:32:46 BRT por leoquintino
 
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